quarta-feira, 3 de junho de 2009

A bíblia eo jornal


O pastor e professor de teologia Karl Barth dizia que o cristão deve carregar em uma das mãos a Bíblia e, na outra, o jornal. Isto significa, por um lado, que sem a Bíblia nada temos para pregar. Por outro lado, sem a “leitura do jornal”, a nossa pregação pode parecer endereçada a anjos e não a pessoas de carne e osso. Dito de outra maneira, a Boa Notícia da salvação quer atingir as pessoas na sua realidade de vida, dando alento e provocando transformação. Testemunho de fé que desconsidera a vida das pessoas e da sociedade produz fanatismo e isolamento. Testemunho que abre mão da Palavra de Deus não é testemunho cristão e leva à secularização. Somos, por isso, convidados a compreender o contexto ao qual o Evangelho é dirigido

sábado, 30 de maio de 2009

A salvação na solidão


“ Em última análise, o que procuro na solidão não é felicidade nem realização, e sim salvação. Não a ‘minha própria salvação’, mas a salvação de todos. É aqui que a coisa fica séria. Já usei a palavra revolta ligada à solidão. Revolta contra o quê? Contra uma noção de salvação que é totalmente legalista e extrínseca e que pode ser conseguida por mais falsa, atrofiada e estéril que realmente seja a sua vida interior. Esta é a pior ambigüidade: a impressão de que se pode ser francamente desleal para com a vida, a experiência, o amor, as outras pessoas, o seu próprio eu mais profundo, e ainda assim ser ‘salvo’ por um ato de obstinado conformismo, pela vontade de ser correto. Afinal, isto me parece fatalmente semelhante ao ato pelo qual as pessoas se perdem: a determinação de estar ‘certo’ a qualquer preço, à força de endurecer o próprio centro em torno da escolha arbitrária de uma posição fixa. Fechar-se em seu erro central com a recusa de admitir que se possa estar errado... Estou aqui [na solidão e no eremitério] por uma razão: para estar aberto, não ‘fechado em’ alguma escolha, seja ela qual for, excluindo todas as outras: estar aberto à vontade de Deus e à liberdade do Seu amor, que vem me salvar de tudo aquilo que em mim Lhe resiste e diz não. Isto eu preciso fazer não para me justificar, não para estar certo, não para ser bom, mas porque todo o mundo de pessoas perdidas precisam desta abertura pela qual a salvação pode entrar através de mim.”

A 'chesed' de Deus



“ A chesed* de Deus é uma misericórdia gratuita que não considera mérito, dignidade nem retribuição. É a maneira como o Senhor olha para os culpados e, com Seu olhar, torna-os imediatamente inocentes. Aos que fogem dele, esse olhar parece ira. Quando o contemplam, contudo, vêem que é amor e que eles são inocentes. (Sua fuga e confusão causadas por seu próprio medo os tornam culpados a seus próprios olhos). A chesed de Deus é verdade. É força infalível. É o amor por meio do qual procura e escolhe Seus eleitos e os une a Si. É o amor pelo qual Ele está desposado com a humanidade. Assim, se a humanidade Lhe for infiel, terá ela sempre uma fidelidade à qual voltar: Sua própria fidelidade. Ele se tornou inseparável do homem na chesed que denominamos ‘Encarnação’, ‘Cruz’ e ‘Ressurreição’. Ele também nos deu Sua chesed na Pessoa de seu Espírito. O Paráclito é a plenitude do mistério inefável de chesed. Assim sendo, nas profundezas de nosso ser existe uma fonte inexaurível de misericórdia e de amor. Nosso próprio ser se tornou amor. Nosso próprio ser se tornou o amor de Deus por nós e está cheio de Cristo, de chesed. Mas temos de nos aceitar e aceitar aos outros como chesed.”
* Palavra em hebreu que significa bondade; bondade que vai além do que normalmente seria esperado.

Quer conhecer a Deus?



“ Quer conhecer a Deus? Aprenda a compreender as fraquezas e imperfeições dos [irmãos]. Mas como você pode compreender a fraqueza alheia se não entender a sua própria? Como pode ver o sentido de suas próprias limitações se não tiver recebido de Deus a misericórdia, que lhe dá o conhecimento de si mesmo e Dele? Não basta perdoar os outros: é preciso perdoar com humildade e compaixão. Perdoar sem humildade é um escárnio: supõe que somos melhores do que os outros.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Deus dos pecadores





Padre Jacques Dupont, em um notável artigo de 1987, publicado na «Nouvelle Revue Théologique», mostrou que «a imagem que Jesus dá de Deus» é «“outra”, diferente daquela do judaísmo contemporâneo», expressando «um Deus que se interessa muito menos pelos justos do que pelos pecadores e outros marginalizados da sociedade religiosa»; em resumo, um «Deus dos pecadores».Um pouco mais adiante, ele escreve: «O Deus de Jesus é um Deus que não se deixa cooptar por uma casta ou por um grupo fechado em si mesmo. A sua maneira de ser o Deus de todos, antes de tudo o fazo Deus dos excluídos e daqueles para os quais aboa sociedade religiosa só tem desprezo».

A conversão querida por Jesus








a conversão querida por jesus
A conversão que Jesus queria era uma autêntica mudançado coração e das relações e não a simples adesão a uma organização ou a um cumprimento ritual. Jesus convidou as pessoas e a sociedade a converterem-se radicalmente a os valores de Deus que ele propunha, isto é:
Da morte à vida, morrendo para si mesmos;do erro à verdade, para o conhecimento;da ignorância à consciência de si, dos outros e de Deus;do egoísmo ao altruísmo;da injustiça à justiça;do ódio ao amor, inclusive o amor aos inimigos;do preconceito à paz, shalom, perdão;da cobiça à partilha;do interesse ao serviço;do orgulho à humildade e ao serviço;dos privilégios à igualdade, reconhecimento de todos;do abuso de poder ao poder como serviço;do patriarcado à reciprocidade, tornar-se parceiro;da hierarquia à comunidade, reciprocidade;da dominação à participação;do isolamento à cooperação e comunhão;da indiferença ao dar atenção, preocupar-se;da apatia à empatia, comprometer-se;da não-liberdade à liberdade;da hipocrisia à sinceridade;da desonestidade à honestidade;da duplicidade à autenticidade.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

À Falta de verdadeiros Profetas

O clamor dos profetas é o clamor dos pobres, dos pequenos e dos excluídos pelos sistemas político, econômico e social.Os profetas são homens e mulheres de Deus, inspirados na justiça e na solidariedade.Eles lutam nas causas de terceiros, mais do eu em causas próprias. São amados, queridos e aclamados por uma parte do povo, mas odiados, combatidos e, não raro, eliminados pelos maquinadores da verdade e pelos que entortam o direito e a justiça.
Os profetas fazem de sua voz a voz do povo, de sua palavra, a defesa dos injustiçados, de sua inteligência, a força dos fracos na busca do bem comum, da verdade e do restabelecimento da justiça.
Esta obra, trabalhando apenas alguns tons desse clamor, coloca diante de você uma inquietude que tomou conta desses homens e mulheres antigos e continua sendo, hoje, de homens e mulheres de Deus, diante dos urgentes apelos do mundo e de grande parte da humanidade, na construção de uma sociedade justa, fraterna e solidária.